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Ciclo de alta na pecuária deve durar mais dois anos, avalia consultoria

Sexta-feira, 24 de Abril de 2020

Para o sócio-fundador da consultoria, Alcides Torres, crise trazida pelo coronavírus é conjuntural e base da cadeia produtiva é firme.

O ciclo atual da pecuária, que é de alta no preço do boi gordo, deve se estender até o ano de 2022. A avaliação foi feita nesta quinta-feira (23/4) pelo sócio-fundador da Scot Consultoria, Alcides Torres, em entrevista ao vivo transmitida pelo perfil da Globo Rural no Instagram. Para ele, a crise trazida pelo coronavírus é conjuntural e, se não estivesse acontecendo, a tendência seria de cotações ainda maiores.

“O animal de reposição está com preços firmes. A parte estrutural está forte, firme e saudável. Estamos vivendo um problema de conjuntura causado pelo covid-19 e pelas medidas das autoridades sanitárias. Mas estamos em um ciclo de alta do preço do boi gordo”, disse Torres.

Ele avaliou que este ciclo de alta e o momento atual, de oferta restrita, têm ajudado a deixar o mercado de carne bovina mais equilibrado em comparação com outras proteínas, como a carne suína ou de frango. De um lado, o pecuarista está oferecendo animais para abate de forma paulatina. De outro, com receio de uma retração de consumo, frigoríficos compram bois para escalas curtas de abate, de dois a três dias.

Diante deste cenário, o preço da carne bovina desde o começo do ano até a primeira quinzena de abril, teve queda de 5%. No mesmo período, o preço da carne de frango caiu quase 30%, explicou o sócio-fundador da Scot Consultoria.

Segundo Torres, o consumo de carne bovina teve um pico de crescimento no início da pandemia de coronavírus no Brasil. O consultor explicou que, na incerteza de como seriam aplicadas as medidas de isolamento social, os consumidores foram ao supermercado e compraram volumes de carne comparados aos da vendas relacionadas às festas de fim de ano. E, em um primeiro momento, o varejo chegou a equilibrar a retração no food service.

“A venda em supermercado equilibrou, mas agora não mais. A pessoa vai ao supermercado e procura coisas mais fáceis para fazer. No frango, encontra pratos congelados e coisas prontas. Na carne bovina não, com exceção do hamburguer e da salsicha”, disse o consultor.

Outra mudança no comportamento do consumidor foi uma troca dos cortes de traseiro bovino, mais nobres e de maior valor, pelos cortes de dianteiro. Alcides Torres explicou que essa mudança e evidenciada pelo comportamento dos preços no varejo. Enquanto os cortes mais caros tiveram queda, os de menor valor tiveram aumento.

“Houve uma procura pelas carnes bovinas mais baratas em detrimento das mais caras. Existe uma elasticidade de renda quando se fala de carme bovina. Quanto maior é a renda, maior o consumo. Estamos em um momento de crise, a gente não sabe o que vai acontecer. As pessoas procuram produtos mais baratos”, explicou.

 

Mercado internacional

Em relação ao mercado internacional, Alcides Torres destacou que o primeiro trimestre foi de recorde de exportação. E a China continua comprando carne bovina do Brasil, assim como de outras partes do mundo, por conta da peste suína africana, que alterou o quadro de oferta e demanda de proteína animal no país. E os frigoríficos tem adotados comportamentos diferentes: Os exportadores estão com ofertas acima das referências de mercado. Os que atendem o mercado interno, na referência ou abaixo.

Já a União Europeia parou de comprar carne bovina do Brasil, disse Torres. É um mercado não tão importante em termos de volume, mas vantajoso em preço. “A carne mais cara que a gente vende é para o mercado europeu. Estamos sem atender os europeus, mas estamos atendendo plenamente o mercado chinês”, pontuou.

Questionado sobre a indústria de carnes dos Estados Unidos, que tem interrompido atividades de plantas frigoríficas por conta do avanço do coronavírus no país, o sócio da Scot Consultoria disse ainda não ser possível saber se a situação isso pode representar um aumento de demanda pelo produto brasileiro. “Talvez o Brasil seja um supridor. Vamos dar tempo ao tempo.”

Torres disse ainda que a rastreabilidade tende a ser cada um fator cada vez mais relevante para o setor de carne, tanto no mercado interno quanto no externo. “O Brasil vem se preparando há muito tempo. Os processos e a ciência dos alimentos estão muito evoluídos. A rastreabilidade veio para ficar. Aqueles que não estão se preocupando com isso tendem a ficar fora do mercado ou a atender mercados marginais”, alertou.

 

Fonte: Globo Rural

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